sábado, 9 de outubro de 2010

O Táxi




Odete sabia que não havia sido uma criança normal, não tivera aquele gosto de brincar em frente à casa sob a vista grossa dos pais, não se sujara como as outras crianças normais... preferia por vezes a companhia de animais à de pessoas. Pessoas falavam o que pensavam, animais, se pensavam não falavam; isso era suficiente para ela. Tivera alguns animais quando pequena, cachorros e gatos eram abundantes no lugar onde ela morava - uma cidadezinha interiorana onde todos sabem o que se passa com os vizinhos - e não raro um ou outro aparecia atropelado por um carro qualquer. Era nesses momentos que ela se mostrava ativa e jurava de morte a pessoa que caso algum dia atropelasse um de seus animais, era vingativa e não descansaria até encontrar quem o fizera.

Eis que num dia, quando saíra mais cedo da aula, estava sentada em frente à casa olhando para a rua. Seus pais não estavam e, portanto, ela ficara fora de casa, pois não tinha a chave da porta. Olhando para o pouco movimento que havia ali, ficou olhando para um gato de rua que brincava com uma sacola de lixo. Ele devia ser bebê ainda, era pequeno e malhado com cinza escuro e claro. Era bonitinho, a menina até cogitou adota-lo porém já tinha dois cães pequenos e duvidava que os pais aceitassem mais um filhote em casa. Passou algum tempo focada no pequeno animal até que a carrocinha passou e pegou o pequeno para pô-lo junto aos demais filhotes abandonados. Ela derrepente se viu desconfortável com aquilo, não queria que o gato tivesse aquele mesmo fim que os outros. Ela já sabia que se ninguém o adotasse, ele seria sacrificado porque a prefeitura não poderia mantê-lo. Quis pedir para o moço que não o levasse, mas não ia adiantar, ela sabia.

O táxi parou derrepente, fazendo com que ela saísse de seus devaneios. Olhou ao redor, estava em um posto de gasolina. – Desculpa, é que tem de encher o tanque senão não roda. – e sorriu, com os dentes amarelados e os olhos castanhos brilhando. Odete assentiu e olhou para o lado de fora do carro. Lá a noite estava mal iluminada e densa, a chuva tornava aquela sensação ainda pior. Não tinha medo de trovões nem de tempestades, simplesmente não conseguia ver tamanha beleza que os poetas atribuíam à noite; ela era misteriosa, tudo bem, mas era tão... comum, tão cotidiana que ela por vezes se esquecia da mesma.
Ela jamais a subestimava, só a colocava naquela gaveta de 'sem importância' junto com várias outras coisas, enquanto suas maiores preocupações a cegavam. Enquanto suas colegas de escola agora tinham se casado e tinham vários filhos, passando por dificuldades, Odete nunca sequer tivera namorado - apenas alguns companheiros, sem qualquer importância - e nem cogitara ter filhos. Agora, entretanto, sentia falta de alguém para conversar, talvez por isso era tão só.

Sentiu aquele típico cheiro de gasolina e de posto, aquilo era horrível, mas ela não podia evitar então fechou os olhos e deixou a cabeça pender para trás. Ficou um tempo assim até sentisse o corpo se retesar e então relaxar; era um convite silencioso para uma noite de sono, mas ela não podia, então arrumou sua postura e ergueu a cabeça. Deparou-se com os olhos castanhos do motorista fitando-a pelo espelho retrovisor. Horas atrás ela manteria o olhar firme, mas não agora, baixou o seu e ficou olhando para suas mãos.
Tinha dedos longos, que agora seguravam sua bolsa com cuidado. Gostava de suas mãos, elas impunham o respeito e a autoridade de que ela tanto necessitava para viver. Eram seu meio de trabalho, era com elas que ficara famosa. Odete Saint-Blair, uma reconhecida jornalista e crítica de moda, uma megera para a maioria de seus empregados, odiada por todos, estava sentada num táxi baixando seu olhar para o motorista. Algumas pessoas com quem trabalhava pagariam milhões para ver aquilo, ela, entretanto, não ligava para o que eles pensavam. Ela não podia imaginar o que se passava com o motorista para encará-la tão energicamente, talvez ela não devesse ter pego aquele táxi, afinal, o motorista podia até ser um maníaco... quem sabe, mas era um risco a se correr, todos os dias.

O frentista fez sinal de que já havia terminado seu trabalho e que ele já podia sair dali e ir ao caixa pagar. Aquele posto era diferente, os frentistas - após muitos assaltos - não ficavam com o dinheiro, os clientes deveriam se dirigir a uma espécie de caixa onde um atendente - em geral uma estagiária precisando de dinheiro - e um guarda receberiam o dinheiro. Aquele esquema se mostrara falho por duas vezes, mas os donos não estavam dispostos a re-implantar o antigo sistema e deixavam como estava. O motorista pagou o valor e saiu, voltando para a rua bem iluminada por grandes postes.

– Meu nome é Murkus. – ele não sabia o motivo, mas notara que aquela mulher não era como as outras, ela podia aparentar aquela altivez de alguém dos altos círculos sociais, mas não era fútil como as que via na televisão. Odete se surpreendeu com a voz dele. Não era excessivamente grave, em sinal de masculinidade, mas também não era soprana, era jovial.
– Odete. – respondeu, simplesmente, ainda olhando para suas mãos, a voz fraca.

Markus trabalhava como taxista desde que se lembrava, não se imaginava longe daquela profissão por mais que insistisse que era provisório. Casara-se, criara três filhos e mantinha uma pensão para a mãe com aquele emprego, logo, não tinha nada a perder ali. Tinha apenas trinta e cinco anos, porém, os longos congestionamentos e a rotina estressante haviam deixado marcas profundas em sua tez, parecia muito mais velho do que era, apesar disso, era bonito. A esposa sempre dizia que tivera muita sorte ao casar-se com ele, Markus apenas ria, envergonhado. Marie, sua esposa, era três anos mais nova, e, no entanto, parecia ainda uma modelo. Era estranho o contraste entre os dois: ela, sempre bem vestida e perfumada, deixara a família para casar-se com ele, um jovem estudante sem qualquer estabilidade financeira e sem diploma. Casaram-se numa cerimônia simples, apenas para os amigos mais íntimos e a família - a dele, já que a de Marie recusara o convite -. Mudaram-se para um pequeno apartamento no subúrbio da capital, longe do glamour da sociedade onde Marie estava acostumada a viver.

O que o atraía em Odete não era sua beleza, mas sim sua semelhança com Marie quando esta era mais jovem. Antes dos problemas típicos de um casamento de contrastes, e principalmente, antes dos filhos. Odete, ainda que com os cabelos úmidos e a roupa molhada, tinha classe, exatamente como Marie. – Desculpe a indiscrição, mas porque parece tão triste? – a mulher se surpreendeu com a pergunta, até pensou em ignorá-la, mas a curiosidade era maior.
– Se fosse apenas um motivo tenho certeza que não estaria. – respondeu, olhando-o pelo retrovisor como ele antes fizera.
– As pessoas costumam ver problema em coisas simples, coisas que não existiriam caso não quisessem.
– Eu tenho certeza de que não quero esses problemas, ainda assim, eles não necessariamente desaparecem. Diria que o contrário, até.
– Há alguns anos eu até concordaria com a senhora, mas hoje eu sei que não, e que tudo que nós temos é porque: ou pedimos, ou devemos. E não acho que a senhora deva algo a alguém, então, só resta uma alternativa.
– Talvez. Ainda não sei, mas é provável que sim. – Ela não sabia porque seguia naquela conversa, mas sentia-se estranhamente confortável com ele. – Também é provável que nunca descubra.
– É muito improvável que o nunca se repita. – um momento de silêncio. – Eu nem deveria estar falando com a senhora, desculpe.

E ambos se calaram por algum tempo. Odete voltou a olhar para fora do carro, pensando no que ele havia dito. Devia ser verdade, porém, ela tinha de aceitar que aqueles espinhos - querendo ela ou não - agora eram parte dela; assim como eram da natureza de todas as rosas de todo o mundo. Abriu sua bolsa e pegou um papel amassado, era um rascunho de uma carta. A caneta bic havia borrado - ou eram as gotas de chuva? -, mas ela não ligava para isso. Na verdade, nem sabia o porquê por trás daquela carta, mas ainda assim a havia escrito.

Havia tantos anos que ela não escrevia por escrever, havia deixado esse hábito conforme subia na hierarquia da empresa, não havia tempo para perder com isso quando deveria fazer reportagens que fariam com que ela ganhasse alguma importância. Não que ela quisesse importância por importância, queria fazer um bom trabalho e ser reconhecida por isso, como qualquer pessoa que sabe ser um bom empregado. Então, Alexei chegara com aquela idéia louca de fazerem a sua própria revista, ela aceitara claro, achando ser mais um delírio do amigo, e, no entanto, agora ela era uma das editoras-chefe e era muito bem reconhecida.
Sorriu, sentindo-se mais nostálgica ainda do que antes, mas ela não podia fazer nada. Tocou levemente no ombro de Markus e pediu que ele seguisse para seu apartamento, ainda sorrindo. Tinha o semblante mais leve, até um tanto divertido com os cabelos emaranhados e a roupa molhada. Ele seguiu logo para lá, não estavam muito longe de qualquer forma. Não se falaram no caminho, mas palavras não eram necessárias para que ela agradecesse ou coisa semelhante, e ele sabia disso.

Quando chegaram ao condomínio em que ela morava, Markus não pôde deixar de se sentir muito surpreso. Lógico que ele sabia que ela não era exatamente pobre, ou classe média, mas não esperava encontrar um arranha-céu com câmeras de segurança por todos os lados e principalmente o nome: Edifício Carly Edson, que ele conhecia muito bem. Odete pagou-o e saiu do carro ainda sorrindo, em seguida rumou para a entrada do edifício sem notar o olhar perdido de Markus, olhando para ela e para o edifício.


Continua em: Marie

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Praça




Ali, sentada olhando para o nada, parecia muito bem mais velha do que realmente era, mas era só cansaço. Sua rotina era pesada: mais de cem horas semanais, tinha apenas a terça-feira para dormir. Dormir para quê?, ela respondia quando lhe perguntavam, e sorria. Ainda lembrava-se dos primeiros anos naquele mercado, tudo era tão difícil e não havia 'salário', apenas uma ajuda de custo para a condução que ela precisava pegar todos os dias. Todos lhe diziam que aquilo não lhe daria futuro e que devia pensar em dinheiro e não em arte, mas ela persistiu. Levou anos – mais do que ela gostaria, até – porém, agora ela estava no topo.

Conservava poucas amizades daquele tempo e podia até dizer que seu único amigo era Alexei, seu companheiro de aventuras. Embarcaram naquilo todos os dias, juntos, mesmo separados por um oceano de idéias. Algumas especialmente contraditórias, diga-se, mas outras floresceram. Odete pegou um punhado de milho e jogou aos pombos, nostálgica. O mundo rodava lentamente, como que com preguiça de lutar por luz. Por vezes ela mesma tivera força de apressar o tempo, mas agora sentia-se velha e fraca demais para aquilo, então, não resistia àquela sensação de formigamento que invadia seu peito. Ela nunca havia sentido isso antes, mas sabia o que era: culpa.

Havia construído uma carreira com o trabalho alheio, ela sabia, mas buscava justificar-se de alguma forma e perdia horas nas madrugadas diante de fotos e fatos, só pensando nos detalhes. Tinha essa mania, era perfeccionista ao extremo com tudo e todos. Não gostava de admitir o que era a verdade: nada daquilo era seu, ainda assim, todos os dias ela comemorava seu sucesso. Um celular tocou. Ela demorou a notar que era o seu próprio, olhou no visor, era Alexei. Imaginou o que ele queria, só então atendeu. A voz aguda do homem a assustou, mesmo há anos convivendo juntos ela não se acostumara.

– Onde você está? Vou buscá-la agora.
– Não – a sua voz era apenas um sussurro rouco –, eu quero ficar sozinha.
– Está novamente nostálgica ou é um daqueles surtos criativos? Os adoro, você sabe.
– Nada, só quero ficar sozinha. – e desligou, desligando também o aparelho.

Odete não tinha certeza se era verdade, mas a solidão era mais... fácil. Sim, era essa a palavra: facilidade. Havia nascido sem espaço, cercada de pessoas como uma flor num canteiro velho e abarrotado de profundas raízes, naturalmente, ela aprendera a blindar-se daquelas raízes. Mas, e agora? Ela havia conquistado seu espaço de direito, devia despir-se das proteções, certo? Ela queria, oh como queria, mas não era tão simples assim, não. Desde criança ela sofrera, tivera depressão e repugnava o próprio rosto; fugia das pessoas e dos espelhos.

Crescera, florescera e com isso vieram as proteções. Agora, crescida, era bela, porém, cercada de grandes espinhos. Fechara-se em si mesma, sentia-se só mesmo cercada de "pessoas". O que era isso?, ela certa vez perguntara a um certo alguém. É o nada., lhe respondera, mas aquilo não bastava, e por isso ela, sem notar, retirava-se todos os dias para sua solidão barulhenta. Em sua essência, buscava nas folhas das edições que publicava as respostas das quais tanto ansiava. Nunca havia o nada, mas também nunca havia o nunca... estava confusa.

Lera tantos livros, ouvira tantos psicólogos, todos diziam a mesma coisa: não há nada com você. Era isso que a irritava, essa persistência no nada. Um joguete de palavras como tantos outros que ela conhecia. Era nesse momento em que ela erguia-se imponente, como aquela rosa. Todos a viam por suas pétalas, mas aqueles que se aventuravam a tocá-la sempre saiam feridos. Observava agora o bater de asas de uma das pombas, era algo tão natural, algo que ela apreciava. Imaginou porque os seres humanos não poderiam ser como eles, e foi então que a pomba voou quando Odete se levantou. Era por isso.

Agora, de pé, sentiu os pés arderem e não hesitou em arrancar os scarpins altos e jogá-los longe. Seus pés eram tão longos e fazia tanto tempo que não os via que quase não se reconhecera. Mesmo apegando-se aos detalhes, a última vez que fizera aquilo fora em segredo. As modelos eram lembradas por seus corpos e rostos, mas nunca, nunca mesmo por seus pés; o mesmo acontecia com ela, com a diferença que ela seguia repudiando o próprio rosto - apenas mais discretamente agora.

Era muito jovem quando aquilo acontecera; esquecera de certas coisas, de alguns detalhes. Não se lembrava com certeza de quando, mas havia sido por volta dos sete anos. Havia brigado com uma colega e também com os pais; passara a noite em claro se olhando no espelho, tomando nota de todos os detalhes, pois tinha medo de se esquecer. Desde então, ela evitava ao máximo se olhar, pois tinha medo do que veria refletido. Tão jovem..., ela dizia às jovens modelos que temiam às suas carreiras vai passar, não tema., quando ela própria ainda não havia superado seus traumas de infância. Seria ela hipócrita? Jamais, ela sempre se consolava, da mesma forma como antes. Será que isso a tornaria uma víbora como a outras? Quem era a vilã e quem era a mocinha dela própria? O que era certo e o que era errado? Essas perguntas eram frequentes desde sempre. Odete fora uma mulher precoce, e talvez por isso criara espinhos ao redor de si.

Agora tentava desesperadamente se desfazer deles e novamente, como antes, batia de frente com seu reflexo no espelho. Era tudo tão confuso, ela era apenas uma criança, apenas uma criança! Eles não tinham o direito de fazer isso com, não! Então tudo ficou escuro derrepente e ela sentiu-se esvaindo, cansada, e deixou-se levar.

Foi tudo rápido, ela agora estava diante do mar e tinha nove anos; era a primeira vez que conhecia o som da vida. Entrou na água com cautela, primeiro, só os pés: sentiu o frio da água; avançou mais um pouco e de tão encantada que estava, não ouviu os pais avisando que iriam comprar um picolé – eles também não se importaram em gritar um pouco mais alto, tinham pressa –. Então num segundo ela desbravava a costa, como aquelas super-heroínas que tanto amava; tudo ficou escuro e ela não mais conseguia respirar, sentia que sua mais nova amiga a engolia: a curiosidade.

Acordou dois dias depois no hospital, tinha tubos entrando e saindo de seu corpo mas não tinha medo. Tinha o peito e a mente aberta para novas experiências e sensações. Naquele mesmo dia teve alta, os pais precisavam trabalhar e não podiam faltar. Ela lembrou-se da enfermeira, era loira e tinha os olhos castanho-escuro; muito vívidos. Ela amava aquilo que fazia, ela era humana.

Já era tarde quando saíram, já no carro ela deitou-se no banco traseiro mas não dormiu, preferiu ficar olhando para aqueles pingos de tinta no céu. O pai notou o olhar interessado e lhe explicou o que eram as estrelas e o principal: elas estavam muito, muito longe dali; bastou para que ela decidisse largar as bonecas e pedisse uma luneta. Não ganhou, porém, engenhosa e geniosa que era, fez a sua própria com um canudo de papelão e cacos de vidro. Começava ai o seu interesse pela ciência. Mas já era tão tarde da noite que ela logo adormeceu. Não viu o pai pegando-a no colo para levá-la para casa, mas sentiu o calor e aconchegou-se.

Quem é aquela mulher sentada no chão, descalça e com o olhar perdido?, ela ouviu alguém perguntar, só então seus olhos retomaram foco e as sombras tomaram formas. Quem sou eu?, ela não sabia a resposta, mas adoraria que alguém que soubesse pudesse lhe dizer. Sentiu as primeiras gotas de chuva no rosto, Sol e Chuva... pensou, lembrando-se dos versos que aprendera ainda pequena, não lembrou-se do resto, entretanto. Havia coisas que ela fizera questão de apagar, outras haviam acontecido há tanto tempo que ela naturalmente havia se esquecido.
Essa era uma delas. Ouviu uma criança sorrir com as gotas de chuva, lembrando-se dos filhos que não teve. Lembrou-se derrepente de tudo que havia abdicado por sua carreira e sentiu-se uma tola. Perdera os melhores momentos de sua vida criticando o trabalho alheio e faturando com isso. Sentiu-se uma modelete no início de carreira.

Mas o que era isso, afinal? Um mercado onde seres humanos têm prazo de validade como animais abatidos? Algo semelhante, era verdade, porém, não tão cruel. Será? Ela sabia que a única diferença entre aquele animal abatido e uma de suas modelos era o polegar opositor – porque o cérebro não era tão diferente assim, diga-se –. A chuva começou a engrossar e rapidamente ela já estava encharcada e o penteado, desfeito; a praça, vazia, exceto por ela própria e seus muitos reflexos.
Ela era a chefe má que cobrava de seus funcionários, era o bom-gosto, a elegância... mas, no fundo, depois de passar por todos os espinhos, ela era um pequeno caule desprotegido. tão frágil quanto aparentava, talvez mais até.

Sentiu o peso da noite cair sobre si, já era hora de partir, então. Com os sapatos em uma mão, a bolsa na outra e os cabelos soltos e molhados, ela parou um táxi e pediu que o motorista apenas rodasse por ai, sem um destino pré-imposto.

– Isso vai custar caro...
– Não me importo, por favor. – ela não era mais aquela garota pobre que pegava uma condução cheia para ir ao trabalho.


Continua em: O Táxi.